sábado, 30 de maio de 2020

Cenas de um Confinamento | Uma Confissão e Duas Horas de Exercício

Parte II

Desde que o confinamento por causa da COVID-19 começou, em Março passado, que o meu sono se alterou muitíssimo. Se durante o dia as preocupações se diluem no (tele)trabalho, nas inúmeras reuniões via Zoom e MS Teams e nos webinars, à noite elas acumulam-se todas na "almofada" e na cabeça na hora em que devia adormecer e fazer restart ao cérebro... Mas acho que devemos andar todos igual, não?

Em Abril atingi o pico de stress dos últimos tempos: dormia cerca de 3 a 4h por noite e foi assim durante várias semanas consecutivas. Tudo por causa do impacto que o contexto que vivemos tem nas nossas vidas e, inevitavelmente, nas empresas (e por aqui há duas), na economia em geral e na capacidade que cada um de nós, em particular, tem de pagar contas. Confesso que foi um mês muito desgastante, se não o mais desgastante do último ano.
E se o sono e o apetite sofreram com o desgaste mental, senti que a minha estabilidade emocional começou a abrir fissuras preocupantes... Valeram-me as conversas virtuais e telefónicas com a família e com amigos do coração (RM muito, muito, muito obrigada pelo apoio que foste ao longo destes tempos incertos) e sinto que ter voltado aos treinos e ao exercício físico regular foi fundamental para superar o desgaste que o mês de Abril de 2020 me trouxe.

Comecei por definir as minhas rotinas e sequência de exercícios*, no início foquei-me mais no ioga para trabalhar a elasticidade e potenciar a paz de espírito, depois fui intercalando exercícios de cardiofitness para aumentar a resistência cardiovascular e pesos para trabalhar a força.
Começaram por ser apenas 2 treinos de 45 minutos por semana cada, com pesos de 2 kg para os braços. Depois passei a 3 treinos semanais de 2 horas cada e actualmente treino com pesos de 1 kg nos tornozelos, 3 kg + 8 kg nos braços e 5 kg na barriga. Perdi 6 kg, tonifiquei e, cereja no topo do bolo, passei a dormir substancialmente melhor.
Agora que o desconfinamento começa a despontar no horizonte, estou cheia de vontade e energia para voltar à marcha e à corrida, pelo menos, 1 vez por semana.

*Sugestão: Inspire-se aqui para criar as suas rotinas e sequências de exercícios para fazer em casa, na varanda ou no jardim

Há sempre inúmeras opções para lidar com as nossas frustrações e cada qual opta, consciente ou inconscientemente, pela suas "soluções". Durante o confinamento houve quem se tivesse compensado emocionalmente com a comida e outros que se compensaram com o exercício. Eu segui pelo segundo caminho e com isso aumentei a produção da serotonina (a chamada hormona do bem estar, produzida durante o exercício físico), sinto-me mais relaxada, serena e feliz e, mais espectacular ainda, até passei a caber muito melhor nas calças (eheheheh)!
Infelizmente os desafios que todos os negócios vivem neste momento não se eclipsaram num passe de magia, mas lido com eles com maior serenidade e ponderação, uma vez que me sinto mais "centrada" e descansada.

Aceite a minha sugestão e volte também você ao exercício físico. (Re)comece devagar, ao seu ritmo, mas (re)comece. Comece, por exemplo, com uma caminhada semanal durante 30 minutos - ponha o sistema cardiovascular a funcionar. Na semana seguinte faça 2 caminhadas. Na outra semana mantenha as 2 caminhadas e ganhe coragem para criar e pôr em prática uma sequência de exercícios para fazer em casa durante 30, 40 minutos. As inspirações estão lá em cima, no link que lhe deixei. Depois, motive-se a continuar, semana após semana. E sim, vai sentir-se cansada(o) no início e um bocadinho dorida(o), mas progressivamente isso passa e é substituído por melhor humor, maior resistência física e melhor qualidade de sono.

Já agora, por favor, lembre-se que você não é uma ilha perdida no meio de um oceano. Se sentir que a sua estabilidade emocional ou mental começa a precisar de reforço, converse com um amigo ou familiar. Não se feche em si e não se deixe à deriva, sem norte. Ao seu lado, à distância de um Whatsapp, de um Zoom ou de um telefonema há sempre alguém amigo que pode fazê-lo sorrir de novo, dar uma ou duas gargalhadas e ajudar a aliviar a "carga" do caminho. Em alternativa, se o peso começar a ser impossível de carregar, saiba que também tem disponíveis as linhas telefónicas Saúde 24 (808 24 24 24), todos os dias, 24h por dia; e SOS Voz Amiga (213 544 545 / 912 802 669), todos os dias, das 16h às 24h.
E quando for você o amigo procurado por alguém que também precise, não deixe de fazer o outro sorrir e desabafar o que queira ou necessite. Estamos todos no mesmo barco e todos, sem excepção, precisamos de um ombro amigo.



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 Mantenha o distanciamento físico e proteja-se, a si, aos seus e à sua saúde!

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